O Deus do Cristianismo
O Deus do cristianismo ou o Deus da Bíblia por muitas vezes é pouco compreendido, e até as vezes é entendido por uns como um Ser tirano e abusivo e para outros, entendido como um Deus de amor e compaixão.
De fato esse tema sobre quem Deus é, indaga muitos, no passado muitos estudiosos já se foram questionando esse assunto e muitos hoje ainda o questionam.
Mas de fato o que a bíblia tem a nos dizer sobre Deus? Quem e como Ele realmente é?
Deus.
Do heb. El, Elohim, Eloah, YHWH; do aram. Elah; do gr.
Theos.
A filosofia e a religião encontram seu maior desafio na
tentativa de definir Deus. Grande parte da filosofia tem igualado Deus à
"causa primária", "lei natural" força cósmica; ou, na
melhor das hipóteses, tem aceitado a Deus como "realidade última". A
Bíblia atribui personalidade Deus, descrevendo-O como criador, sustentador,
legislador, juiz, governador e pai (Gn 18:25; Dt 33:2; Sl 103:13; Sl 104:27-29;
Is 40:28; Dn 4:17; At 17:25-28; Rm 8:15). A filosofia religiosa descreve Deus com
termos como "onipotente", "onisciente" e
"onipresente". Essas expressões ensinam algumas verdades importantes acerca
de Deus.
A existência de Deus é confirmada universalmente por Sua criação
e é testemunhada pela natureza humana (Rm 1:19, 20; 2:14, 15); mas esse
testemunho, separado da revelação das Escrituras, fornece apenas um conceito
limitado e errôneo. Na Bíblia, Deus tem revelado só o que precisamos saber.
A
especulação que ultrapassa a revelação é inútil e até mesmo perigosa.
A Bíblia retrata Deus como um ser capaz de criar, comunicar e amar. O relacionamento de Deus com Abraão ilustra esse vínculo afetuoso e pessoal. Deus tinha um plano para Abraão, conforme expressado na "aliança" feita com ele. Por seis vezes, essa aliança foi repetida: primeiro, quando Deus chamou Abraão para deixar sua terra natal (Gn 12:1-3): segundo, quando Abraão chegou à terra para a qual Deus o havia chamado (v. 6, 7); terceiro, quando Abraão experimentou o desapontamento da escolha egoísta de Ló (Gn 13:14-17); quarto, quando Abraão precisou que sua confiança fosse restaurada após a batalha dos reis (Gn 15:1, 5, 6); quinto, quando Abraão pecou e precisou de perdão (Gn 17:1-8); e sexto, quando Abraão provou sua fidelidade em uma crise severa (Gn 22:15-18). Outros experimentaram esse mesmo tipo de amizade (Ex 33:11; Nm 14:13, 14; Sl 139:7-10; Is 40:28, 29; etc.).
O Deus da Bíblia é retratado como um Deus de amor (Jo 3:16; 1 Jo 4:7 8: etc.) "compassivo, clemente e longânimo e grande em em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado" (Ex 34:6, 7), ainda também como um Deus de justiça "não inocenta o culpado" (v. 7). Esses dois aspectos são apresentados na declaração do NT: "considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus" (Rm 11:22).
O testemunho do AT acerca de Deus é significativo e revelador. Numa época em que os deuses das nações eram representados como sendo terrenos e sensuais, os escritores do AT apresentaram a natureza ética de Deus (Sl 24:4: He 1:13). Eles também viam Deus como universal em vez de tribal e como um único Deus em vez de uma proliferação de divindades que competiam entre si (Gn 14.22; Dt 6:5; Is 45:25; 66:1; Dn 4:17). A concepção humana de Deus não estaria completa até que Ele Se revelasse na pessoa de Jesus. "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem O revelou" (Jo 1:18). Assim, a informação mais completa que as pessoas podem encontrar acerca de Deus não está na natureza ou na experiência pessoal ou mesmo nos rolos dos profetas da Antiguidade, mas nas narrativas dos evangelhos e nos ensinos dos apóstolos. Essas revelações são a norma pela qual as outras revelações de Deus devem ser verificadas.
Essa revelação está descrita na instrução de Jesus aos discípulos (Jo 14:1-10), na oração de Jesus por Seus discípulos (Jo 17) e em Hebreus 1:1 a 5. Jesus retratou o caráter de Seu Pai para um mundo que não compreendia Deus (Mt 5:44, 45; Lc 1:78, 79; 6:35). No sacrifício de Cristo, foram vistas a sabedoria infinita, o amor, a justiça e a misericórdia de Deus. A compreensão e apreciação dessa vontade informa e transforma (2Co 3:18; Ef 3:14-19; Cl 1:9-11).
Deus é retratado como Aquele que exige muito e que dá livremente (Mt 16:24; Rm 8:32). Ele espera obediência, mas paga um preço infinito para possibilitá-la (Ex 23:21; Dt l1:27, 28; Is 5:4; Os 14:4; Jo 3:16). Ele tem uma lei imutável, mas oferece graça inexaurível (Mt 5:17-19; Rm 5:20; Fp 4:13). Ele odeia o pecado profundamente, mas ama o pecador com maravilhoso amor (Sl 101:3; Is 63:9; Jr 31:3; Rm 2:8, 9;9:25). Ele é o Criador e Sustentador do ilimitado universo, ainda que seja um pai ansioso aguardando no portão pelo retorno do filho pródigo (Sl 33:6, 13, 14; Sl 104:27, 28; Is 44:22, Lc 15:20). Ele desafia o intelecto da pessoa mais brilhante que o mundo já conheceu, ainda que aceite a devoção de uma criancinha (Jó 36-41; Is 45:20, 21: Jr 9:12; SI 103:13; Mt 7:11). Jesus Se referiu a Ele como misericordioso (Lc 6:36), preocupado com as necessidades humanas (Mt 6:32), generoso (Mt 7:11), amoroso (Jo 3:16) e espiritual (Jo 4:24).
Ocasionalmente, os escritores bíblicos irrompem em
expressões de louvor a Deus. Onde a expressão do discurso intelectual falha, a
poesia do louvor é capaz de retratá-Lo. Depois de descrever o plano de Deus
para salvar a humanidade, Paulo declarou: "Ó profundidade da riqueza,
tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os Seus
juízos, e quão inescrutáveis, os Seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do
Senhor? Ou quem foi o Seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a Ele para que Lhe
venha a ser restituído? Porque dEle, e por meio dEle, e para Ele são todas as
coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:33-36).

